Pastoral Universitária
 
3º. Trimestre de 2008

LIÇÃO 9 – Uma coluna da missão: O apóstolo Pedro – Parte II
 
            Na última lição estudamos um pouco sobre o controvertido Pedro. Para não perder o costume, nessa semana ele aparece como personagem secundário num dos episódios mais debatidos de toda a bíblia: “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” (Mateus 16:18 RA). A figura central é Cristo, que também é a PEDRA FUNDAMENTAL do Cristianismo. Além dos textos apresentados pela lição, vejamos outras evidências:
 
1. Ninguém mais apropriado do que o próprio Pedro para fazer uma avaliação correta do que Jesus quis dizer nessa ocasião. Vejamos o que ele disse e escreveu à respeito:
 
“Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Autoridades do povo e anciãos, visto que hoje somos interrogados a propósito do benefício feito a um homem enfermo e do modo por que foi curado, tomai conhecimento, vós todos e todo o povo de Israel, de que, em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vós crucificastes, e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, sim, em seu nome é que este está curado perante vós. Este Jesus é pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou a pedra angular. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos.” (Atos 4:8-12 RA)
 
“Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está na Escritura: Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa; e quem nela crer não será, de modo algum, envergonhado. Para vós outros, portanto, os que credes, é a preciosidade; mas, para os descrentes, A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular e: Pedra de tropeço e rocha de ofensa. São estes os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos.” (1 Pedro 2:4-8 RA)
 
2. O próprio Jesus, em outra ocasião, fez referência a Si mesmo como sendo a PEDRA FUNDAMENTAL que foi rejeitada. Se você observar o contexto do próximo verso, poderá verificar que o assunto era a rejeição dEle mesmo por parte dos judeus:
 
“Perguntou-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” (Mateus 21:42 RA)
 
3. Paulo afirmou categoricamente que o FUNDAMENTO do edifício de Deus – a igreja – é Cristo:
 
“Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo.” (1 Coríntios 3:11 RA)
 
4. Outra evidência de que Jesus não se referiu a Pedro como sendo a tal PEDRA, é o fato de que, mesmo após esse episódio, os discípulos continuaram disputando o primeiro lugar no novo reino (Lucas 22:24; Mateus 18:1; Marcos 9:33, etc).
 
            Na seqüência, após o período traumático de seu aprendizado, Pedro como que esqueceu de si mesmo. Nos momentos em que era usado por Deus atribuía suas vitórias a Ele. Abandonando a prática do Marketing Pessoal, agora aproveitava as oportunidades para fazer propaganda de Cristo. Não deve ter sido nada fácil para ele agir assim. Quando se tem um dom e as pessoas o reconhecem, o caminho para a exaltação própria é bem curto. Comentando sobre Gideao no tempo dos Juízes, Ellen White diz o seguinte: “O Senhor poderia fazer muito mais por Seu povo, se este acalentasse a verdadeira humildade; mas poucos há a quem possa ser confiada grande medida de responsabilidade ou êxito, sem que se tornem confiantes em si mesmos e esquecidos de sua dependência de Deus. É por isto que, ao escolher os instrumentos para Sua obra, o Senhor despreza aqueles que o mundo honra como grandes, talentosos e brilhantes. Estes muitas vezes são orgulhosos e confiantes em sua própria competência. Acham-se capazes de agir sem o conselho de Deus. Patriarcas e Profetas, págs 553 e 554.
 
            Certamente Pedro aprendeu o caminho da humildade. Ponto para ele. Além de ser um comunicador eficiente e cheio do poder de Deus para fazer curas e milagres, também se revelou capaz para auxiliar na administração da igreja. Mas como ninguém é perfeito (e isso não é apenas força de expressão), ele ainda precisava alargar suas fronteiras. Enquanto recebia a ordem de devorar os animais imundos que desciam num lençol, o Senhor pretendia lhe ensinar que “...Deus não faz acepção de pessoas;” (Atos 10:34 RA), “pelo contrário, em qualquer nação, aquele que o teme e faz o que é justo lhe é aceitável.” (Atos 10:35 RA). Isso é apenas mais uma evidência de que por mais experiência que tenhamos acumulado nas diversas áreas da vida, nunca estaremos preparados para lidar com toda e qualquer situação. Haverá sempre algo novo, inexplorado e desconhecido.
 
            Portanto Pedro ainda era – e diga-se de passagem, morreu sendo – um ser humano sujeito às pressões da vida, medo e fracasso. Enquanto houvesse se tornado uma espécie de herói do início do cristianismo, não era Deus. E isso faz toda a diferença. Embora a maioria de nós não goste da idéia, o erro, a mancada, a corrupção e a palavra ou ação equivocada são possibilidades reais em nossa vida. Mesmo daqueles que buscam em seu dia a dia se afinar cos princípios divinos. Então, apesar de ter uns milhares de anos, o conselho bíblico é mais atual do que nunca: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” (1 Coríntios 10:12 RA)
 
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Pr. Denis Konrado Fehlauer
Pastoral Universitária
UNASP Campus SP